Tradução de Thiago Goulart

"Como todas as expressões do humano, integradas em uma disponibilidade livre de demandas, a sexualidade se transforma. A eliminação das relações afetivas, da fantasia de amar ou ser amado, do imaginário de estar ou não com alguém, assim como a experiência de uma corporalidade sem necessidades a não ser a plenitude do instante, são transformação. Muitas outras ramificações desta liberdade irão se transpor no campo da riqueza corporal. Esses sentimentos não são os meios de uma realização qualquer, eles são extensões de uma não-demanda que, só, permite a escuta da riqueza tátil do instante."

Éric Baret - Corps de Vibration, Corps de Silence, pag. 43

 

E para complementar, respondendo a uma questão por parte de um dos interessados em participar do retiro:

Pergunta: Ela vai abordar temas da sexualidade tântrica?

Resposta: "Fazemos um trabalho de sensibilização que não implica nenhuma referência ou prática envolvendo a sexualidade. Podemos discutir certas questões que se referem ao espaço íntimo na parte de perguntas / respostas, mas nossa abordagem corporal não tem nada a ver com as práticas neo-tântricas modernas, se essa é a questão."

Mariette Raina

 

“Virāsana é pouco utilizado na Índia como postura de meditação. Ela participa mais das tradições japonesa e do sudeste asiático. A energia é menos centrada que em Padmāsana ou em Siddhāsana.
Em Padmāsana, quando a postura está correta, os dois calcanhares pressionam dois centros de energia situados sobre os lados da região abdominal, o que contribui a estimulá-los. A popularidade de Padmāsana como postura de meditação vem da influência da iconografia budista de Shakyāmuni em meditação. Padmāsana é sobretudo destinado ao Prānāyāma, ao despertar da energia. Mas a verdadeira postura de meditação é Siddhāsana.
Para o Shivaísmo, Siddhāsana é o āsana último. Não é unicamente a posição das pernas, mas ela inclui também Jnāna-mudrā para as mãos. Este Mudrā que é o purificador do mental não convêm ao Padmāsana. Esta postura estimula a verdadeira verticalidade e provê uma calma muito grande. Participa também de Siddhāsana: Shambhavi-mudrā, que significa trazer o olhar para a parte posterior da cabeça, resultando numa grande redução da atividade do cérebro frontal. Os gestos das mãos e do olhar bastam para dar uma total disponibilidade ao desconhecido. A agitação desaparece. É a postura na qual o ensinamento é recebido, na qual os poderes são transmitidos de mestre a aluno. Em Padmāsana ainda há muitas vezes uma intenção, visamos despertar a energia. Siddhāsana é além de todo objetivo, é a abertura sem projeção, a abdicação.”

Éric Baret - Le Yoga Tantrique du Cachemire, págs. 83-84

 

Pergunta: "O retiro será muito intenso ao nível físico?"

Resposta: Como organizador do retiro e por já ter entrado em contato com o Yoga Tântrico da Caxemira, respondi que não, pois bem sei que após mais de 8 anos de prática de "ashtanga as it is", ou seja, praticando 6x por semana, até onde o guru determina que você vá (o que muitos ashtangis sabem que depois, pelo resto do dia, se está imprestável para qualquer outra atividade) não fazia mais sentido a mim praticar assim, então minha prática num âmbito mais amplo me levou ao Yoga Tântrico da Caxemira.

Mas perguntei a Mariette o que ela teria a adicionar, e ela respondeu o seguinte:

Resposta: "Não, não será puxado a nível físico. Eu sempre dou a exploração das posturas em seção, isso quer dizer que cada um é livre para parar onde seu corpo lhe diz pare. Trabalhamos essencialmente sobre a escuta, em não forçar o corpo, isso é muito importante.

Com relação a nossa abordagem (Yoga Tântrico da Caxemira) é falso o forçar o corpo, pois trabalhamos sobre um outro nível. O importante não é a postura, mas como a fazemos. Durante a sessão, o praticante é convidado a explorar a postura por etapas, onde está livre de parar lá onde seu corpo lhe diz de não ir mais além. Cada um tem suas capacidade físicas específicas, diferentes,, mas todos temos a mesma capacidade de escuta.
O acento de nossos encontros é de abrir espaço de escuta, pelo qual o corpo orgânico (e não o corpo físico) poderá se desdobrar por si mesmo. No voluntarismo tudo se fecha, pela escuta tudo se abre."

Mariette Raina

 

"Por que você quer se libertar do sofrimento, violência, depressão? Estes são presentes que se recebe para interrogar-se. Não há nada para mudar aí dentro. Tudo isto acontece porque há uma forma de maturação, de abertura, por isso que estes presentes vêm.
Pensar que se deve estar livre do sofrimento, se libertar da violência, isso é que é a violência. É uma forma de adiamento.
Não há nada do qual devemos ser livres. A imagem é absolutamente necessária; quando serviu a seu propósito, é eliminada como o resto.
Uma jornada espiritual é viver com o que está aí; não procurar transformar, mudar, se libertar.
Essas coisas são parte da psicologia, é uma fuga antecipada.
Se trata de viver com o que você sente e não viver com o corpo hipotético, com o corpo que devemos ter, teríamos, mas o corpo que está aí. Viver com o que é sentido, não com uma psique hipotética, tranquila, purificada, que deveria ser como isso ou como aquilo, que deveria ser aberto. Não. Viver com o que está aí: com a agitação, medo, depressão. Acolher estes elementos faz com que aconteça a transformação. Não há espaço para qualquer alteração, unicamente viver com o que existe. O que está aqui não é nada além de beleza, mas isso necessita ser ouvido, ser observado. Qualquer tentativa de se libertar, isso é sofrimento ".

Éric Baret




 

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“O shivaísmo tântrico caxemiriano propõe uma abordagem extraordinária do corpo e da respiração. Tudo é nada mais que transparência, leveza e liberdade. Bem longe do voluntarismo corporal chamado no ocidente de “Yoga”, os asanas e pranayamas se transformam em criatividade, a mais completa vacuidade. Nem exotismo, nem distração, a força desta visão se revela ilimitada: são irradiados todos os aspectos da nossa existência. Da abordagem da beleza até a sexualidade, da alimentação à exploração dos corpos sutis, esta tradição luminosa revela a essência de uma arte por muito tempo reservada ao ensinamento oral, rahasyasampradaya” (sobre a transmissão de Éric Baret, Soledad Maria )

Tradução de Soledad Maria

"Você pode passar tua vida a se imaginar tendo êxitos ou fracassos. Tudo isto não é nada mais que ideologia: você não pode conquistar ou perder seja lá o que for. Um dia você estará farto de imaginar. Nesse instante tuas conquistas e fracassos imaginários, tuas fantasias de alcançar ou fracassos do futuro também serão eliminadas. Essa é a conquista, não há outra. É essa que precisa ser deixada se instalar em nós. Não há lugar para um arrependimento, uma esperança ou uma amargura: tudo isso é uma forma de agitação. Fique tranquilo, claro. A vida se desenrola em você, você não está na vida."

"Eu não preciso de nada para pressentir o que é primordial. 
Inútil de mudar o que quer que seja em mim."

Eric Baret - do Livro O Abandono

 

"Para nos revelar sua beleza, a vida somente encontra seu espaço em um abandono, em uma total impotência de sermos o que quer que seja.
Recentemente, durante uma viagem ao Canada, eu me via em sonhos em um avião que começava a aproximar-se da cima das árvores. Eu me fiz a observação que voávamos muito baixo. Então as árvores chegaram ao nível das assas e eu constatava: vamos bater! Por um instante, um reflexo de medo apareceu, rapidamente substituído por uma extraordinária curiosidade: “finalmente vou saber se todos os absurdos que digo tem algum sentido!” ... uma alegria imensa apareceu. A asa do avião foi arrancada por uma arvore e eu acordei em um transe de alegria. Esta alegria aparece quando a morte é evidente e inevitável.
O sentimento do medo é extraordinário. Ter medo dos cachorros, de estar só, de ser golpeado, de perder seu dinheiro ou seus filhos – cada um com sua fantasia: é sempre o mesmo medo Quando eu sinto esse medo aparecer, não importa do que, e eu fico disponível, este medo fica sensorial e encontra sua liberdade.
Nada a pensar, nada a compreender. Não podemos explicar nada: somente nos contar fantasias. Sentir é muito fácil e accessível; mas tudo que você pode pensar ou ler sobre a morte não é nada além de fantasia. Cada tradição criou suas próprias teorias cheias de bobagens. Toda a expressão artística vive dessas bobagens – e nisso está seu valor. Mas somente devemos considera-las que em função da arte e da beleza. É um pretexto para expressar a beleza, assim como o são o medo, a solidão, a tristeza, todas essas emoções de onde nascem a arte indiana ou a música europeia. 
A morte nada mais é que uma palavra. Cada um a veste da sua forma. Quando você se deita de noite, você deixa feliz a sua vida: é uma forma de morte. Se você regularmente se entrega ao sono com clareza, se você deixa seu corpo se abandonar, o medo psicológico da morte pode em muito diminuir. Ela pode voltar por alguns instantes em algumas situações, mas isso não vai durar muito como medo"

 

Para mim o verdadeiro Mestre é aquele que é aquilo que ensina. 
A experiência de "ser tocada" pela experiência em si mesma talvez possa se aproximar do que senti ao ser conduzida na prática do Tantra Yoga da Cashemira por Mariette Raina. 
Uma oportunidade de visitar caminhos internos muito profundos e descobrir novas maneiras de estar na Vida. 
Este trabalho abriu importantes portas dentro de mim e a compreensão de que tudo o que preciso é me permitir viver a experiência em si. Nada mais..... 
Se a vida é um conjunto de experiências vividas, se permitir escolher esta experiência para ser vivida é um presente muito precioso e nutridor para si mesmo e no meu caso, para minha alma. 

Ilka Ramalho Vecchiatti

 

"A pratica do tantra yoga da Caxemira, que conheci com Mariette Raina ano passado e incorporei à minha vida diária, me trouxe um senso de presença muito maior, mais real, mais vivo. Experimentar no corpo algo que depois se expande ao redor de si, integrando todas as coisas da vida na existência simples, aqui, agora. E a pratica é deliciosa! Eu recomendo demais!!"

Ana Luiza Feres

 

Me surpreendi muito com a profundidade e leveza do Tantra da Caxemira, diferente de tudo o que li e já experienciei ao longo desses doze anos de aprendizado no mundo do Yoga.
Uma proposta revolucionária do ponto de vista psíquico e corporal.

Rodrigo Mattos
Prof° de Hatha Yoga e Psicólogo