Yoginibhuh

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Tantra de Caxemira

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O Tantra da Caxemira é uma tradição das mais antigas e respeitadas no mundo, mas pouco conhecida no Brasil. Quando expressado através do movimento, em posturas, constitui o Yoga tântrico da Caxemira que Mariette nos apresenta.  Com a escuta do corpo, esta yoga nos ajuda a integrar complexos conceitos filosóficos que nos trazem de volta ao presente, a aceitação e a liberação de esquemas reativos e repetitivos.

Esta prática não requer nenhuma habilidade especial, é para todos, desde professores de yoga a iniciantes, que queiram ir às raízes do tantra e do yoga da Caxemira.

Retiro de Yoga

Os seminários são uma imersão no coração desta abordagem, que só pode ser plenamente compreendida se for vivenciada em várias sessões. Ao longo do seminário, o praticante irá deslizar em um espaço de não-compreensão e de não-memória, onde apenas o corpo constitui o guia para a prática. As trocas, na forma de perguntas e respostas, permitirão através delas captar a orientação metafísica do ensinamento dos Tantras (textos sagrados) tal como se transpõe dentro da prática mas também na vida, face às experiências cotidianas e as emoções. Este trabalho engloba cada instante da vida, cada seminário é novo, cada prática aparece no instante sem preparação.

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Mariette Raina

Em suas duas passagens anteriores pelo Brasil Mariette encantou pela profundidade do seu trabalho, pela clareza na transmissão, pela perfeição na execução das asanas. Formada por Eric Baret, conceituado Mestre desta linhagem, muito reconhecido na Europa e com quem trabalhou na publicação do livro "Corpo de Vibração". Há dez anos Mariette está mergulhada no estudo e prática do Yoga Tântrico da Caxemira. Formada em Antropologia, escreveu sua tese de mestrado sobre o Yoga da Caxemira: “Entre Tradição e Modernidade”.

Mariette pode viajar no Brasil ou a América do Sul para ensinar o Kashmiri Yoga em seu centro. Para mais informações sobre as condições de viagem e organização, envie um email: yoginibhuh@gmail.com (de preferência em francês ou inglês).


Como você pode definir“Yoga Tântrico da Caxemira”?

Devemos esquecer a ideia de Yoga. Nos encontramos para explorar essa intuição que nos chama, do contrário não estaríamos ali. O que visamos é um espaço que não conseguimos nomear, então falamos de “yoga”, mas é mais que isso. O corpo é como uma porta que nos permite tocar esse espaço, explorar o que está velado.

Essa abordagem é um caminho direto para a escuta. Não tem promessa, não tem nada emocionante para ser vendido, não tem expectativa. Para tocar o essencial devemos esquecer todas as nossas ideias, nossos conceitos e nossos discursos sobre nós mesmos e a vida. Essa é a razão pela qual no ensino tântrico tradicional, como é encontrado nos Tantras, a transgressão é central nos rituais, a transgressão não tem referência. O fogo ao qual a oferenda é dada é o símbolo de que tudo deve ser queimado.  Mas tenha cuidado, não estamos falando aqui de uma afirmação, não é algo para fabricar.  Em última análise, o observador que para de tentar se justificar, se explicar, confortar, é o fogo mais intenso. Claridade queima tudo. O termo Tântrico aqui traz de volta o significado interior essencial. A abordagem não-dual que seguimos não é uma prática por acumulação, pelo contrário, é sobre desfazer o que foi feito, deixar morrer imaginários e discursos. Isso deveria acontecer no seu próprio tempo, o ponto não é traumatizar ninguém, tudo acontece no seu próprio tempo. Mas a perspectiva está lá: a verdade está se buscando através do meu ser, é um retorno ao essencial que nunca me deixou.

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Por que você recomendaria seu workshop?

Eu não recomendo nada. Você deve vir por ressonância, você deve vir porque não há expectativa. Não tem promessa de mudança. No mundo de hoje é difícil, as pessoas tem que vender, vivemos de promessas e queremos tudo rápido. Não tem promessa. Não só no meu workshop, mas nos workshops em geral. Temos que ver como funcionamos: no mundo de hoje compramos na prateleira espiritual, fazemos uma sopa com todas as abordagens que praticamos e assim que não concordamos com algo, as jogamos fora. Então vamos experimentar uma nova prática com a esperança de que esta é que vai nos salvar. Nada vai salvar você. É necessário vir sem expectativa, vir por ressonância. Você não sabe porque, mas você sente que tem que acontecer. Essa é a razão pela qual as pessoas devem vir. Não tem erro quando seguimos o que ressoa. Isso é o que exploramos no workshop: escutar, escutar o que vem para mim. Quando não tem comentário, uma mente que busca justificativa, que busca ganhar alguma coisa, quando não tem estratégia, então eu tenho acesso à fonte que me guia. É um momento muito lindo. É livre, não tem espera, apenas a escuta. Você deve vir por evidência.

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"Posso Levantar Meu Braço Sem Usar A Memória? Preciso Ser Flexível? Devo Realmente Fazer Um Asana Com Perfeição? Estou Sentindo A Tensão Ou Estou Lutando Contra Ela? Acredito Ter Feito Essas Posturas Centenas De Vezes Ou Posso Realizar O Movimento Como Se Fosse A Primeira Vez? Posso Simplesmente “Ouvir” Sem Aceitar Ou Rejeitar Nada? Posso Observar Os Comentários Que Minha Mente Emite Enquanto Pratico Sem Tentar Mudar Meus Pensamentos? Realmente Preciso Relaxar Meu Corpo? 

Qualquer uma dessas questões experimentadas através da prática dos asanas encontrarão um espaço de resposta que pode ser levado à vida diária sem esforço. 

Essas perguntas são a base do yoga tântrico não dualista, uma prática que segue os ensinamentos escritos nos Tantras em torno do século X e XI na Caxemira. Transposto para responder às necessidades do mundo de hoje, esta não é uma abordagem progressiva. Não há necessidade de relaxamento, purificação ou flexibilidade. Não há nenhum lugar onde ir e nada a alcançar ou ganhar, somente há o retorno àquilo que já está lá e que nunca nos deixou. 

Uma mente clara surge quando a dinâmica de mudar a si mesmo e ao mundo cai diante da evidência de que a realidade é perfeita assim como ela é e de que o sofrimento vem da necessidade de tentar mudar o mundo, ou seja, da rejeição ao mundo assim como ele é.

O corpo que experimento a cada dia é memória e memória é tensão. Essa prática irá explorar esse corpo de memória para suavemente eliminar toda a reatividade contida nele. Quando finalmente deixo de tentar me relaxar, a tensão pode se expressar e então desaparecer. 

Com a prática do yoga tântrico da Caxemira aprenderei a não “fazer” o asana, ou seja, permitir que o asana naturalmente apareça no espaço de não expectativa. Quando a reação desaparece, posso experimentar o “vazio” e um corpo que organicamente se alinha com os asanas. 

Eu devo estar pronto para explorar o desconhecido.

Repetição é uma ilusão e toda prática é sempre nova... “O que sou se me entrego ao não fazer?” é a pergunta que essa prática irá explorar.

Essa prática é para todos, desde professores de yoga a iniciantes, por que não há níveis para a sensibilidade, para explorar o Yoga da Caxemira.”

seminário

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Retiros urbanos ou residenciais, os seminários permitem mergulhar no coração deste ensino. Mariette também oferece aulas particulares em todas as cidades do Brasil onde ela viaja.

 

São Paulo, Yoga Sat

Bahia, Pedro do Sabia

Chile, Santiago

CITAÇÃO

 

Tradução de Thiago Goulart

"Como todas as expressões do humano, integradas em uma disponibilidade livre de demandas, a sexualidade se transforma. A eliminação das relações afetivas, da fantasia de amar ou ser amado, do imaginário de estar ou não com alguém, assim como a experiência de uma corporalidade sem necessidades a não ser a plenitude do instante, são transformação. Muitas outras ramificações desta liberdade irão se transpor no campo da riqueza corporal. Esses sentimentos não são os meios de uma realização qualquer, eles são extensões de uma não-demanda que, só, permite a escuta da riqueza tátil do instante."

Éric Baret - Corps de Vibration, Corps de Silence, pag. 43

 

E para complementar, respondendo a uma questão por parte de um dos interessados em participar do retiro:

Pergunta: Ela vai abordar temas da sexualidade tântrica?

Resposta: "Fazemos um trabalho de sensibilização que não implica nenhuma referência ou prática envolvendo a sexualidade. Podemos discutir certas questões que se referem ao espaço íntimo na parte de perguntas / respostas, mas nossa abordagem corporal não tem nada a ver com as práticas neo-tântricas modernas, se essa é a questão."

Mariette Raina

 

“Virāsana é pouco utilizado na Índia como postura de meditação. Ela participa mais das tradições japonesa e do sudeste asiático. A energia é menos centrada que em Padmāsana ou em Siddhāsana.
Em Padmāsana, quando a postura está correta, os dois calcanhares pressionam dois centros de energia situados sobre os lados da região abdominal, o que contribui a estimulá-los. A popularidade de Padmāsana como postura de meditação vem da influência da iconografia budista de Shakyāmuni em meditação. Padmāsana é sobretudo destinado ao Prānāyāma, ao despertar da energia. Mas a verdadeira postura de meditação é Siddhāsana.
Para o Shivaísmo, Siddhāsana é o āsana último. Não é unicamente a posição das pernas, mas ela inclui também Jnāna-mudrā para as mãos. Este Mudrā que é o purificador do mental não convêm ao Padmāsana. Esta postura estimula a verdadeira verticalidade e provê uma calma muito grande. Participa também de Siddhāsana: Shambhavi-mudrā, que significa trazer o olhar para a parte posterior da cabeça, resultando numa grande redução da atividade do cérebro frontal. Os gestos das mãos e do olhar bastam para dar uma total disponibilidade ao desconhecido. A agitação desaparece. É a postura na qual o ensinamento é recebido, na qual os poderes são transmitidos de mestre a aluno. Em Padmāsana ainda há muitas vezes uma intenção, visamos despertar a energia. Siddhāsana é além de todo objetivo, é a abertura sem projeção, a abdicação.”

Éric Baret - Le Yoga Tantrique du Cachemire, págs. 83-84

 

Pergunta: "O retiro será muito intenso ao nível físico?"

Resposta: Como organizador do retiro e por já ter entrado em contato com o Yoga Tântrico da Caxemira, respondi que não, pois bem sei que após mais de 8 anos de prática de "ashtanga as it is", ou seja, praticando 6x por semana, até onde o guru determina que você vá (o que muitos ashtangis sabem que depois, pelo resto do dia, se está imprestável para qualquer outra atividade) não fazia mais sentido a mim praticar assim, então minha prática num âmbito mais amplo me levou ao Yoga Tântrico da Caxemira.

Mas perguntei a Mariette o que ela teria a adicionar, e ela respondeu o seguinte:

Resposta: "Não, não será puxado a nível físico. Eu sempre dou a exploração das posturas em seção, isso quer dizer que cada um é livre para parar onde seu corpo lhe diz pare. Trabalhamos essencialmente sobre a escuta, em não forçar o corpo, isso é muito importante.

Com relação a nossa abordagem (Yoga Tântrico da Caxemira) é falso o forçar o corpo, pois trabalhamos sobre um outro nível. O importante não é a postura, mas como a fazemos. Durante a sessão, o praticante é convidado a explorar a postura por etapas, onde está livre de parar lá onde seu corpo lhe diz de não ir mais além. Cada um tem suas capacidade físicas específicas, diferentes,, mas todos temos a mesma capacidade de escuta.
O acento de nossos encontros é de abrir espaço de escuta, pelo qual o corpo orgânico (e não o corpo físico) poderá se desdobrar por si mesmo. No voluntarismo tudo se fecha, pela escuta tudo se abre."

Mariette Raina

 

"Por que você quer se libertar do sofrimento, violência, depressão? Estes são presentes que se recebe para interrogar-se. Não há nada para mudar aí dentro. Tudo isto acontece porque há uma forma de maturação, de abertura, por isso que estes presentes vêm.
Pensar que se deve estar livre do sofrimento, se libertar da violência, isso é que é a violência. É uma forma de adiamento.
Não há nada do qual devemos ser livres. A imagem é absolutamente necessária; quando serviu a seu propósito, é eliminada como o resto.
Uma jornada espiritual é viver com o que está aí; não procurar transformar, mudar, se libertar.
Essas coisas são parte da psicologia, é uma fuga antecipada.
Se trata de viver com o que você sente e não viver com o corpo hipotético, com o corpo que devemos ter, teríamos, mas o corpo que está aí. Viver com o que é sentido, não com uma psique hipotética, tranquila, purificada, que deveria ser como isso ou como aquilo, que deveria ser aberto. Não. Viver com o que está aí: com a agitação, medo, depressão. Acolher estes elementos faz com que aconteça a transformação. Não há espaço para qualquer alteração, unicamente viver com o que existe. O que está aqui não é nada além de beleza, mas isso necessita ser ouvido, ser observado. Qualquer tentativa de se libertar, isso é sofrimento ".

Éric Baret
 

 

“O shivaísmo tântrico caxemiriano propõe uma abordagem extraordinária do corpo e da respiração. Tudo é nada mais que transparência, leveza e liberdade. Bem longe do voluntarismo corporal chamado no ocidente de “Yoga”, os asanas e pranayamas se transformam em criatividade, a mais completa vacuidade. Nem exotismo, nem distração, a força desta visão se revela ilimitada: são irradiados todos os aspectos da nossa existência. Da abordagem da beleza até a sexualidade, da alimentação à exploração dos corpos sutis, esta tradição luminosa revela a essência de uma arte por muito tempo reservada ao ensinamento oral, rahasyasampradaya” (sobre a transmissão de Éric Baret, Soledad Maria )

Tradução de Soledad Maria

"Você pode passar tua vida a se imaginar tendo êxitos ou fracassos. Tudo isto não é nada mais que ideologia: você não pode conquistar ou perder seja lá o que for. Um dia você estará farto de imaginar. Nesse instante tuas conquistas e fracassos imaginários, tuas fantasias de alcançar ou fracassos do futuro também serão eliminadas. Essa é a conquista, não há outra. É essa que precisa ser deixada se instalar em nós. Não há lugar para um arrependimento, uma esperança ou uma amargura: tudo isso é uma forma de agitação. Fique tranquilo, claro. A vida se desenrola em você, você não está na vida."

"Eu não preciso de nada para pressentir o que é primordial. 
Inútil de mudar o que quer que seja em mim."

Eric Baret - do Livro O Abandono

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